Jéssica Siqueira, artesã de 30 anos, residente em Bertioga, litoral Norte de São Paulo, já era mãe de dois filhos, Rayssa, de 4 anos, e Ray, de 7, quando optou pela laqueadura. “Tomei essa decisão sozinha, sem o consentimento do meu marido. Na época, cada um de nós tinha um filho de um relacionamento anterior, além de Rayssa, fruto do nosso casamento. Como sempre cuidei deles sozinha e meu casamento não estava bem, não me via passando novamente pelo período pós-parto, que é sempre um turbilhão de emoções”, relembra.
A esterilização foi realizada há um ano e cinco meses. Contudo, a vida lhe reservou uma surpresa: a terceira gravidez. “No início de dezembro, tive um sonho em que estava tendo outro bebê. Pouco tempo depois, senti dores nos seios e minha menstruação atrasou. Esperei até 31 de dezembro, mas nada aconteceu. Naquela noite, senti uma forte dor de barriga e, ao melhorar, falei com Deus: ‘Se eu estiver grávida, me mostre, por favor. Me dê uma luz, tire isso da minha mente’. No dia seguinte, sonhei novamente, dessa vez fazendo um teste de gravidez e participando de um chá revelação. Então, em 1º de janeiro, comprei um teste de farmácia e fiz. O resultado positivo me deixou em choque! Para ter certeza, fiz outro teste, e os dois tracinhos apareceram rapidamente. Ainda sem acreditar, fiz um exame de sangue, que confirmou a gravidez”, conta.
Diante da notícia inesperada, Jéssica sentiu-se paralisada por duas semanas. “Eu me perguntava por que Deus estava me colocando nessa situação, mesmo sabendo das minhas lutas diárias. Eu não queria mais filhos”, desabafa. Agora, com 14 semanas de gestação, ela começa a aceitar melhor a nova realidade. “Sabia que existia uma pequena chance de falha na laqueadura, mas nunca imaginei que aconteceria comigo, e tão rápido”, admite.
A reação do marido foi semelhante à dela: choque e silêncio por alguns dias até processar a notícia. Já os filhos receberam a novidade com entusiasmo, beijando a barriga e interagindo com o irmãozinho. “Eles dão ‘bom dia’ e ‘boa noite’ para o bebê”, diverte-se.
Jéssica compartilha sua rotina nas redes sociais e, após superar o susto, postou um vídeo bem-humorado. No clipe, ela aparece comemorando a laqueadura, e, em seguida, a cena corta para sua nova realidade: exibe o ultrassom e os testes de gravidez positivos. “A repercussão foi inesperada! Sempre gostei de postar sobre meu dia a dia, mas nunca imaginei que esse vídeo faria tanto sucesso”, comenta.
Sobre o futuro, ela afirma que pretende adotar novos métodos contraceptivos. “Depois que o bebê nascer, vou usar preservativo e colocar o DIU. Meu esposo também vai fazer vasectomia. (risos) Laqueadura, pelo visto, não é suficiente, né?”, brinca.
Gravidez após laqueadura: é possível?
O ginecologista e obstetra Alexandre Pupo, membro da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), explica que nenhum método contraceptivo é 100% eficaz, incluindo a laqueadura. “A taxa de falha varia entre 0,3% e 0,5%, especialmente no primeiro ano após o procedimento. Isso significa que, em média, uma em cada 200 mulheres que se submetem à laqueadura pode engravidar”, esclarece.
Além disso, o especialista menciona que há relatos de gestações ocorridas até 20 anos após o procedimento. “O que ocorre com mais frequência é a recanalização das tubas ou falhas na técnica cirúrgica. Em alguns casos, pode haver uma reabertura de uma das ‘bocas’, permitindo que o óvulo encontre um caminho para a fecundação”, finaliza.







